quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Cinza quente-úmido

"I fear that I am ordinary, just like everyone. To lie here and die among the sorrows, adrift among the days"

O Time que Preferiu Morrer do que Perder

A história do futebol mundial inclui milhares de episódios emocionantes e comovedores, mas seguramente nenhum seja tão terrível como o protagonizado pelos jogadores do Dinamo de Kiev nos anos 40. Os jogadores jogaram um partida sabendo que, se ganhassem, seriam assassinados, e, no entanto, decidiram ganhar. Na morte deram uma lição de coragem, de vida e honra, que não encontra, por seu dramatismo, outro caso similar no mundo.

Para compreender sua decisão, é necessário conhecer como chegaram a jogar aquela decisiva partida, e por quê um simples encontro de futebol apresentou para eles o momento crucial de suas vidas.

Tudo começou em 19 de setembro de 1941, quando a cidade de Kiev - hoje capital ucraniana - foi ocupada pelo exército nazista. Os homens de Hitler aplicaram um regime de castigo impiedoso e arrasaram com tudo. A cidade converteu-se num inferno controlado pelos nazistas e, durante os meses seguintes, chegaram centenas de prisioneiros de guerra que não tinham permissão para trabalhar nem viver nas casas locais. Assim, todos vagavam pelas ruas na mais absoluta indigência. Entre aqueles soldados doentes e desnutridos, estava Nikolai Trusevich, que tinha sido goleiro do Dinamo.

Josef Kordik, um padeiro alemão a quem os nazistas não perseguiam, precisamente por sua origem, era torcedor fanático do Dinamo. Num dia caminhava pela rua quando, surpreso, olhou um mendigo e de imediato se deu conta de que era seu ídolo: o gigante Trusevich.

Ainda que fosse ilegal, mediante artimanhas, o comerciante alemão enganou aos nazistas e contratou o goleiro para que trabalhasse em sua padaria. Sua ânsia por ajudá-lo foi valorizada pelo goleiro, que agradecia a possibilidade de se alimentar e dormir debaixo de um teto. Ao mesmo tempo, Kordik emocionava-se por ter feito amizade com a estrela de sua equipe e, outrora, seu ídolo.

Na convivência, as conversas sempre giravam em torno do futebol e do Dinamo, até que o padeiro teve uma idéia genial: encomendou a Trusevich que, em lugar de trabalhar como ele, amassando pães, se dedicasse a buscar o resto de seus colegas. Não só continuaria lhe pagando, como pensava que juntos poderiam salvar os outros jogadores.

O arqueiro percorreu o que restara da cidade devastada dia e noite, e entre feridos e mendigos foi descobrindo, um a um, seus amigos do Dinamo. Kordik deu trabalho a todos, se esforçando para que ninguém descobrisse a manobra. Trusevich encontrou também alguns rivais do campeonato russo, três jogadores do Lokomotiv de Moscou, e também os resgatou. Em poucas semanas, a padaria escondia entre seus empregados uma equipe completa.

Reunidos pelo padeiro, os jogadores não demoraram em dar o seguinte passo, e decidiram, alentados por seu protetor, voltar a jogar. Era - além de escapar dos nazistas - a única coisa que bem sabiam fazer. Muitos tinham perdido suas famílias nas mãos do exército de Hitler, e o futebol era a última sombra de suas vidas anteriores.

Como o Dinamo estava enclausurado e proibido, deram um novo nome para aquela equipe. Assim nasceu o FC Start que, através de contatos da sociedade alemã, começou a desafiar equipes de soldados inimigos e seleções formadas no III Reich.

Em sete de junho de 1942, jogaram sua primeira partida. Apesar de estarem famintos e cansados por terem trabalhado toda a noite, venceram por 7 a 2. Seu seguinte rival foi a equipe de uma guarnição húngara, ganharam de 6 a 2. Depois meteram 11 gols numa equipa romena. A coisa ficou séria quando em 17 de julho enfrentaram uma equipe do exército alemão e golearam por 6 a 2. Muitos nazistas começaram a ficar preocupados pela crescente fama do grupo de empregados da padaria e buscaram uma equipe melhor para ganhar deles. Trouxeram da Hungria o MSG com a missão de derrotá-los, mas o FC Start goleou mais uma vez por 5 a 1, e mais tarde, ganhou de 3 a 2 na revanche.

Em seis de agosto, convencidos de sua superioridade, os alemães prepararam uma equipe com membros da Luftwaffe, o Flakelf, que era uma grande time, utilizado como instrumento de propaganda de Hitler. Os nazistas tinham resolvido buscar o melhor rival possível para acabar com o FC Start, que já gozava de enorme popularidade entre o sofrido povo refém dos nazistas. A surpresa foi grande, porque apesar da violência e falta de esportividade dos alemães, o Start venceu por 5 a 1.

Depois dessa escandalosa queda do time de Hitler, os alemães descobriram a manobra do padeiro. Assim, de Berlim chegou uma ordem de acabar com todos eles, inclusive com o padeiro, mas os hierarcas nazistas locais não se contentaram com isso. Não queriam que a última imagem dos russos fosse uma vitória, porque acreditavam que se fossem simplesmente assassinados não fariam nada mais que perpetuar a derrota alemã.

A superioridade da raça ariana, em particular no esporte, era uma obsessão para Hitler e os altos comandos. Por essa razão, antes de fuzilá-los, queriam derrotar o time em um jogo.

Com um clima tremendo de pressão e ameaças por todas as partes, anunciou-se a revanche para 9 de agosto, no repleto estádio Zenit. Antes do jogo, um oficial da SS entrou no vestiário e disse em russo:

- "Vou ser o juiz do jogo, respeitem as regras e saúdem com o braço levantado", exigindo que eles fizessem a saudação nazista.

Já no campo, os jogadores do Start (camisa vermelha e calção branco) levantaram o braço, mas no momento da saudação, levaram a mão ao peito e no lugar de dizer: - "Heil Hitler!", gritaram - "Fizculthura!", uma expressão soviética que proclamava a cultura física.

Os alemães (camisa branca e calção negro) marcaram o primeiro gol, mas o Start chegou ao intervalo do segundo tempo ganhando por 2 a 1.

Receberam novas visitas ao vestiário, desta vez com armas e advertências claras e concretas:

"Se vocês ganharem, não sai ninguém vivo". Ameaçou um outro oficial da SS. Os jogadores ficaram com muito medo e até propuseram-se a não voltar para o segundo tempo. Mas pensaram em suas famílias, nos crimes que foram cometidos, na gente sofrida que nas arquibancadas gritava desesperadamente por eles e decidiram, sim, jogar.

Deram um verdadeiro baile nos nazistas. E no final da partida, quando ganhavam por 5 a 3, o atacante Klimenko ficou cara a cara com o arqueiro alemão. Deu lhe um drible deixando o coitado estatelado no chão e ao ficar em frente a trave, quando todos esperavam o gol, deu meia volta e chutou a bola para o centro do campo. Foi um gesto de desprezo, de deboche, de superioridade total. O estádio veio abaixo.

Como toda Kiev poderia a vir falar da façanha, os nazistas deixaram que saíssem do campo como se nada tivesse ocorrido. Inclusive o Start jogou dias depois e goleou o Rukh por 8 a 0. Mas o final já estava traçado: depois dessa última partida, a Gestapo visitou a padaria.

O primeiro a morrer torturado em frente a todos os outros foi Kordik, o padeiro. Os demais presos foram enviados para os campos de concentração de Siretz. Ali mataram brutalmente a Kuzmenko, Klimenko e o arqueiro Trusevich, que morreu vestido com a camiseta do FC Start. Goncharenko e Sviridovsky, que não estavam na padaria naquele dia, foram os únicos que sobreviveram, escondidos, até a libertação de Kiev em novembro de 1943. O resto da equipe foi torturada até a morte.

Ainda hoje, os possuidores de entradas daquela partida têm direito a um assento gratuito no estádio do Dinamo de Kiev. Nas escadarias do clube, custodiado em forma permanente, conserva-se atualmente um monumento que saúda e recorda àqueles heróis do FC Start, os indomáveis prisioneiros de guerra do Exército Vermelho aos quais ninguém pôde derrotar durante uma dezena de históricas partidas, entre 1941 e 1942.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Verde-academia

"soltei os tigres e os leões no quintal"

É incrível como os professores do colégio nunca prestaram atenção no que eu e alguns amigos meus dizíamos. Vivíamos falando que 90% da matéria que eles nos ensinavam e cobravam o aprendizado nunca seria utilizada na minha vida profissional. Vai dizer que eu estava errado ?

Hoje Li Na Cama Robinson Crusoé em Francês.

Lembra dessa infâmia ?

Pois bem, agora me diga quantas vezes na sua vida profissional (desde que você não seja um engenheiro quíimico, óbvio), precisou lembrar o nome dessas merdas de não-sei-o-quês aí de Ribscônio, Frentimônio ou Xuletanol ?

A mesma coisa com aquelas fórmulas absurdas de física e matemática. Coeficiente de propagação de calor. Ciclo de Krebs. Produto notável. Quadrado da soma. Quadrado da diferença. Modelo Atômico de Bohr. Explodam-se todos.

Para mim, importante mesmo é português, geografia (política), aritmética e história. Português é meio óbvio: a base do crescimento pessoal, profissional, e cultural passa direto por dentro da capacidade de comunicação. Se você lê e absorve conhecimento novo, ótimo. Aproveite e transmita-o através da norma culta da lingua. A Geopolítica serve para situar todo alguém no mundo: de nada adianta ler o jornal se você não sabe de que bulhufas se está falando. A história é a base da evolução, do aperfeiçoamento em todas as esferas, e a aritmética serve para conferir o troco na padaria (aritmética não é álgebra - fodam-se as incógnitas !).

Na minha escola, só estas quatro matérias fariam parte da grade curricular. É claro que quem quisesse poderia estudar física, ou química, desde que se interessasse e, principalmente, tivesse empatia com o assunto. Como crianças (principalmente as de colégios particulares que têm iPods e PS3 em casa) gostam mesmo é de brincar, e sabem bem pouco o que querem fazer para sobreviver e alimentar seus filhos, em pouco tempo teria que mandar estes professores embora, por falta de trabalho.

Mas por quê, ó Thiago ?

Imagina uma pessoa que faz faculdade de educação física. Essa pessoa começa a trabalhar numa academia, por exemplo. Um dia, nesta fortuita academia, um dos alunos interjeita o professor com a seguinte exclamação: Hoje tomei meio litro de água quente, corri uma hora... acho que emagreci uns 2 kgs, não !?

Como essa pessoa - que estudou 4 anos para dar seu treino - deve se sentir ?

Talvez se a aluninha rechonchuda e espertinha não tivesse tido aula de biologia e química na escola, não achasse que sabe tudo e pediria aconselhamento à pessoa certa - o profissional da área. Assim como iríamos ao médico em vez de nos auto-medicar, iríamos à nutricionista em vez de fazer a dieta das proteínas, e tantas outras coisas que nos julgamos capaz e, sem saber, metemos os pés pelas mãos e fazemos tudo errado.

Bem melhor pra todo mundo, não é não ?

Lá vão meus professores, causando mais problemas, e dessa vez não só a mim, mas à humanidade. Tsc, tsc, tsc...

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Vermelho-amídala

"everybody out of the water"

Acabou o reinado dos bonzinhos no Palmeiras. O clube que teve Edmundo (93), Djalminha (96) e Felipe (99), ultimamente vinha se contentando com os convertidos Fernando (01), Adãozinho (02) e Caio Junior (07). Resultado: O bi Brasileiro, a inédita Copa do Brasil e a tão sonhada Libertadores deram lugar ao vice continental, rebaixamento, e time mais cagão da história, respectivamente (e em ambas sentenças !).
Não é de hoje, meu pai fala que time de futebol, para dar certo, tem que ter um cara endemoniado. Meu pai já viu mais jogo de futebol que qualquer comentarista da Globo - acho até que viu mais do que todos eles juntos -, e sabe o que fala.
Este ano o Palmeiras tem um binômio satânico, que atende pela alcunha Luxemburgo-Kléber. O primeiro, velho conhecido dos escândalos, com direito a denúncia de assédio sexual e até mesmo uma CPI (proeza que nem alguns políticos que se esforçam muito conseguem).
O segundo, um ilustre desconhecido. Até então.
Desde que chegou no Palmeiras, Kléber contrasta a aparência de bom moço, com os descalábrios que faz em campo e, porque não, fora dele.
Até demorou um pouco para que ele começasse sua arquitetura diabólica, porém sua estréia no mundo do satanismo, no jogo da primeira fase contra o SPFW, que rendeu ao André Dias um caminhão de pontos no rosto e uma pena "de leve", mostrava definitivamente a quê ele tinha vindo.
Depois foi questão de tempo (e do final da sua suspensão), até que ele voltasse contra a Ponte Preta e pisasse no rosto de um jogador Pontepretano, em plena final do campeonato já ganha, em casa. Seguiu-se o episódio da agressão ao companheiro Maurício, no treino, e a apoteose (pelo menos até agora) chegou com a confusão na boate, depois de provocar torcedores bambis.
Testemunhas contam que Kléber, de graça e completamente sem justificativa, evoluiu uma conversa sobre futebol para berros do seguinte teor: "O SPFW não vai ganhar nada este ano. Já perderam o Paulista para nós e agora a Libertadores". Isso sem contar a parte que ele chama os São Paulinos de bambis...
Começou uma confusão, Kleber tomou um soco (nada mal pro tamanho da confusão que ele tinha arrumado), e deixou a boate em seu carro. Porém, deixou seu irmão para trás e, na volta para pega-lo, teve de jogar o carro sobre a calçada, atropelando um torcedor, para que um grupinho de dez caras, "todos fortões", segundo ele, na mais legítima alusão à parada gay, não rebentassem seu irmão.
Eu já briguei na rua, inclusive, já me vi numa situação muito parecida, com atropelamentos e tudo, e acho que ele fez o que tinha que fazer. Azar do cara que foi atropelado - porque felizmente ele não se machucou -, e bola para frente, "come out and play".
O politicamente correto diria que tá tudo errado, e que este cara não serve pro Palmeiras, e que ele é maloqueiro, e bla, bla, bla. Na verdade, vou dizer só que ele é maloqueiro, mas vou reiterar a necessidade de um cara assim num time vencedor.
O Luxemburgo mesmo, hoje secretário executivo de satan, já havia dito há tempos atrás que jogador não tem nada é que ser bonzinho. "Não é pra casar com a minha filha, pô", bradava ele. Eu concordo, e lembro o episódio do Marcão, sempre bonachão, que no começo do campeonato tomou uma voadora do tal de Malaquias da Ponte, levantou, e deu no cara ainda no chão. É assim que os times vencedores se comportam. Como homens.
E se São Marcos fez, é porquê é do futebol, o que significa que o demoníaco Kleber está abençoado, na complicada arquitetura divina da bola.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Laranja-Gatorade de Tangerina

"stop the clocks and turn you love around, let your love lay me down, and when the night is over there'll be no sound"

Quando na última rodada da fase classificatória do Paulistão ficou decidido que uma semifinal seria feita entre Palmeiras e SPFC e na outra se enfrentariam Guaratinguetá e Ponte Preta, todo mundo disse que o primeiro confronto era uma final antecipada.
Só que o Guará era a grata supresa do campeonato, tendo batido no Palmeiras em casa (ou pelo menos com mando alviverde) por três a zero, batido na Ponte e perdido pro SPFC apertado com um golzinho de falta chorado na longínqua primeira rodada da primeira fase.
Ou seja: todos os torcedores rivais - incluindo jornalistas e críticos esportivos -  torciam e, mais do que isso, viam real possibilidade, para que o vencedor da primeira semifinal fosse surpreendido históricamente na decisão pelo Guará, que em 6 anos de vida tinha conquistado 4 acessos e um título de Campeão do Interior. Sonhavam que eles pudessem acabar momentâneamente com a hegemonia do SPFC, ou deixar o Palmeiras na fila por mais um ano.
Era mais ou menos assim: Palmeiras X SPFC era a final antecipada, mas veladamente não seria surpresa nenhuma se o Guará comesse um dos grandes na final. Isso tudo para aumentar a pressão e, caso tudo desse certo para os rivais, o vexame do grande, derrotado pelo pequeno na decisão.
SPFC e Palmeiras fizeram uma semifinal eletrizante. Não sei se por causa das provocvações das diretoria de ambas as partes, do gol de mão, do gás no vestiário, do shiu, ou se porquê não estamos mais acostumados a esses mata-matas.
No final o Palmeiras (o bem) prevaleceu e, seguindo a lógica dos rivais, era o campeão. Mas naquele domingo em que o Palmeiras bateu no SPFC, em que Valdívia mandou Rogério calar a boca e dançou sobre o cadáver do adversário, todo mundo já sabia que não existiria mais tragédia na final, e que ali estava o campeão Paulista de 2008. Por dois motivos:

1 - O Guaratinguetá, segundo time dos Corintianos e Santistas, caiu para a Ponte Preta na semifinal. Caiu por causa do goleiro pontepretano Aranha, que é um goleiro médio, mas contra o Guará jogou demais, não só nas semis como lá na fase classificatória.

2 - Um time que ganhou como o Palmeiras ganhou do SPFC, com raiva, escárnio e tripúdio, tem no seu sangue, no seu DNA de futebol a palavra VITÓRIA.

E aqueles mesmos jogadores que no final do ano passado tinham 5 jogos para fazer 3 pontos e se acovardaram, fizeram apenas um e perderam a vaga para a Libertadores em casa, desta vez se agigantaram, meteram 6 gols no resultado agregado da final, não decepcionaram novamente a torcida que nunca deixou de acreditar neles. Festejaram o Paulistão como quem festeja uma Copa do Mundo. E para o único que estava em campo naquele 4 de maio e que havia festejado ambos os títulos, eu, na minha humilde opinião, acho que os dois tiveram a mesma importância.

São Marcos, como foi bom ver você levantando um troféu novamente. Se você achou que encerraria a carreira sem fazer isso novamente, nós Palmeirenses também achamos, e depois da Libertadores de 99, esse título da semana passada foi o mais importante para mim. Para nós. E porquê você foi quem levantou esta taça. Dias depois eu vim saber que o Marção, aos prantos, fez a palavra final com os jogadores no vestiário antes de subir para o campo. Não dá pra não se emocionar com isso, e aqui vão as suas palavras, palavras que só um verdadeiro Palmeirense seria capaz de dizer ante uma final com esta importância para nós:

"Tanto tempo que eu fiquei quebrado no vestiário fazendo tratamento para voltar, eu quebro tudo de novo, juro por Deus. Eu me quebro todo de novo, mas não vou perder para essa Ponte Preta nem a pau. Quebro minha perna, quebro meu pescoço se tiver de quebrar. Eu não vou perder hoje, porque sei o que eu sofri para estar aqui e o que vocês sofreram também. Então, eu não vou ter medo de errar. Vou arriscar, igual contra o São Paulo. Se eu tiver de jogar de líbero, eu jogo, MAS EU NÃO VOU PERDER, PORQUE A GENTE SABE O QUE FEZ PARA ESTAR AQUI." - São Marcos.

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Cinza-garoa, verde-campo de futebol e vermelho-Homem de Ferro

"well I hear the fiddlers call, say that love is here for all"

A Quarta-feira perfeita

18 graus, garoa em São Paulo.

Acordo às 11 da manhã, fuço na internet até as 12:00hs, jogo CS ou CM até as 14:00hs.

Almoço lasanha com Coca Cola e vou dormir.

Acordo às 15:45hs para assistir Chelsea X Liverpool.

O jogo está chato, durmo de novo com a TV ligada.

Acordo com o narrador gritando gol do Chelsea. Vejo o replay, me viro e durmo de novo.

Acordo no meio do segundo tempo, quando o Liverpool empata, e continuo vendo o jogo, que está pegando fogo. Para acompanhar, pão de queijo Forno de Minas com margarina e Toddynho.

Já sem preguiça, alterno a tv entre o final do jogo do Chelsea e o começo de Boca X Cruzeiro.

Intervalo do jogo. Escureceu, coloco mais um moleton e assito o segundo tempo. A janta é pizza, e tem uma pessoa pra buscar por mim !

Acaba o jogo, e a pizza, e eu me ajeito melhor na cama para América do México X Flamengo.

Final do segundo tempo, a coragem me toma e eu corro para o banho, naquela sensação de que "se não for agora, não vou mais !".

Saio do banho e, sem nada para fazer, durmo.

Acordo com o hino nacional, pro começo de Sport X Palmeiras.

Intervalo de jogo, 2 a 0 verdão, começo a me trocar.

Termina o jogo, corro pro cinema. Homem de ferro !

Combo Mega com Coca NORMAL, e "margarina em cima e no meio do saco de pipoca, por favor" ! Aos 40 minutos de filme, refil !

Acabou o filme, vamos para casa.

Ganhei desconto de 5 reais no estacionamento, paguei só R$3,00 !

E amanhã eu não trabalho. E nem depois de amanhã. E nem depois de depois de amanhã. E nem depois de depois de depois de amanhã, dia em que eu vou ao estádio ver meu time campeão.

Era disso que eu estava precisando...

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Azul-Reebok 10K, branco e prata

"is that the price you pay ? Running through hell, heaven can wait"

Faz um tempo eu definitivamente parei de ir trabalhar de onibus e, mesmo em dia de rodízio, só ando indo de carro - desculpe o trocadilho - pra senzala.
À primeira vista, isso parece um upgrade social, melhorona (ou seria melhorazona ?) na qualidade de vida. Se quando eu ia de onibus eu tinha que levantar às 7 da manhã para chegar no escritório às 9:00hs, hoje levantando 8 da manhã dá e sobra tempo. Pra gente como eu que considera tempo ocioso = tempo perdido, já que poderia estar dormindo, isso é realmente genial !!!

Acontece que, falando com a Pricila no messenger há uns meses atrás, ela me divertiu com as suas histórias de volta do trabalho, e todas as aventuras que ela vivia voltando ou de ônibus ou a pé pra sua casa. Nunca tinha dado tanta risada !

15 dias atrás foi a vez do Felipe, aqui do escritório, narrar um incidente fantástico na sua ida ao trabalho. Sem carro há algum tempo, desde que bateram na sua traseira, ele vem a cada dia gostando mais desse negócio de vir de ônibus + pé pro trampo.

A história que ele contou falava sobre duas mulheres que discutiram no ônibus, e terminaram a briga na rua. Uma delas até chegou a pegar uma pedra pra dar na outra. Enquanto isso, o motorista, lá de dentro, chamava as duas de volta pro busão, porquê ele "tinha que ir embora, não dá pra esperar mais, não" !

Que coisa !

Essa semana, na quarta-feira, eu saí pra almoçar sozinho, já que todo mundo no escritório tinha levado marmita. Fui no japonês por kilo numa travessa da rua onde eu trabalho, primeiro porquê é perto do escritório, segundo porquê é japonês e eu adoro comida japonesa !!!

Como cheguei lá lá pelas 2 da tarde, o movimento já estava bem fraco. Eu, um outro freguês e a dona do restaurante víamos o jornal entre um hot roll e um shimeji.
Falaram do terremoto e começamos a conversar, relatando nossas experiências sísmicas, naquela típica conversa de elevador, cheia de chove-não-molha "Eu senti, achei que estava passando mal..." "Eu nem percebi, nossa, gente, que coisa !!!" e assim por diante.

A notícia seguinte falava do caso all-time sucesso de audiência, o assassinato da Isabella. Inevitável, ouvimos pelo 15º dia seguido todos os detalhes do crime e, bem menos à vontade, não fizemos nenhum comentário.

Quer dizer...

A dona do restaurante deve ter se sentido obrigada a quebrar o gelo, tentar consertar o mal-estar causado - afinal não é todo restaurante que você vai que dá notícias de assassinato. Soltou a pérola:

- Esses dois aí também são muito é burros ! Vão jogar a criança pela janela ? Se fosse eu, eu punha fogo no cadáver...

Até derrubei o garfo na hora. O cara do meu lado tossiu. Aí ela percebeu o que tinha feito. Fácil arrumar:

- Mas é, gente, todo filme que você vê os assassinos fazem isso.

Ela até me deu uma bola de sorvete de chocolate de graça, a primeira das três tentativas de me fazer sentir bem que deu certo, mas nem assim eu volto a almoçar lá...

Depois dessa, eu concluo: os normais estão no hospício, os loucos é que estão soltos na rua.

segunda-feira, 24 de março de 2008

Marrom, azul, vermelho e branco

"I can't sleep and I lay and I think. the night is hot and black as ink. Oh God, I need a drink of cool, cool rain"

O fim de semana prolongado foi de filmes. 4 no total. Dèja Vu, Paranóia, Reine Sobre Mim e Simpsons.

Reine Sobre Mim foi o melhor.

Aliás, o filme é notável, e na minha opinião vale a pena ser visto. Fala, de maneira muito particular e interessante, sobre o 11 de setembro.

Até aí, nenhuma novidade, já que trocentos outros filmes já falaram de trocentas outras coisas historicamente relevantes, como o Dia D, a bomba de Hiroshima, a Segunda Guerra Mundial, o Nazismo... as novidades são, em primeiro lugar, que ele fala do 11 de setembro em segundo plano, como causa implícita para o drama do filme, que é a real história, e em segundo por quê faz pensar sobre o 11 de setembro de forma não-ostensiva.

Eu explico.

Por "falar do 11 de Setembro em segundo plano" eu quero dizer que só lá pelas tantas do filme é que você percebe que realmente o conflito - identificado como síndrome pós-traumática pela deusa Liv Tyler, fantástica, apesar dos comentários enciúmados da minha namorada - vivido pelo Adam Sandler (Charlie Fineman é o personagem), foi desencadeado pelos atentados terroristas, o trauma da sua síndrome. Isso é dado sutilmente ao longo do filme quando por exemplo o seu empresário Sugarman (interpretado pelo diretor do filme Mike Binder) diz que ele ficou assim no dia 12 de setembro de 2001, ou com a raiva que o protagonista mostra por terroristas. As notícias sobre conflitos que Fineman vê na tv, que têm presença constante de terroristas na vida real, consolidam o fato de que o filme se trata de um efeito da fatídica data, não precisando tirar o foco da obra enquanto drama, para joga-lo no terreno do comercialmente aceitável, correndo o risco de ofuscar o brilhantismo do trinômio enredo/diretor/elenco.

E sobre "faz pensar sobre o 11 de setembro de forma não-ostensiva", entenda que o filme muda pensamentos mais radicais sobre a data tirando o foco institucional e lançando um olhar individualizado sobre as verdadeiras vítimas.

Como assim ?

Imagine só: com certeza você tem um amigo, ou pai de um amigo, ou chefe - ou você mesmo -, que se diz "feliz" pelo atentado, por mostrar ao gigante EUA que o pequeno Afeganistão, alimentado à base de pólvora americana (já que os EUA fomentaram belicamente a sua independência da ex-URSS simplesmente porque a dissolução da outra potência polarizadora interesava à "América") havia posto seu antigo mestre de joelhos, enfim, esse blá-blá-blá todo de xiita de fim de semana que, de um jeito ou de outro, reconfortava ou pelo menos tornava tolerável a agressão ao "império do capitalismo".

Só que, vendo o filme, e pensando a potencialidade de "efeito colateral" causado (personificado pela perturbação de Charlie), percebe-se que não se tratou de uma agressão ao "império do mal", e sim à milhares de pessoas que, mais ou menos culpadas, foram atingidas de forma covarde e tiveram suas vidas tragicamente decepadas por uma guerra a qual muitos nem sabiam existir.

Essa é a visão que devemos ter, independente de simpatizarmos ou não com o Bush The Kid, o governador Exterminador do Futuro ou o American Way Of Life.

Imagina se um grupo de etíopes te para na rua e espanca, só porquê o Ronaldinho Gaúcho ganha 700 mil dólares por mês e no país deles não existe o que comer ? Isso faz sentido ? Não né ! Poderiam, no máximo, arrebentar o Ronaldinho, apesar de não fazer muito sentido também. Eu, por ser Brasileiro, não posso responder pelos atos de outras pessoas as quais a única coisa que têm de comum comigo é a procedência do documento de identificação, e nessa pauta eu extendo o meu raciocínio não para a "instituição" Estados Unidos da América, mas sim para os indivíduos que foram as verdadeiras vítimas dos atentados, e acho a analogia perfeitamente cabível.

Enfim, pelo conjunto da obra, é um filme que merece ser visto. Especialmente o Adam Sandler (de novo), que sempre foi muito bem como palhaço e agora parece ter acertado também no drama (ele já tinha misturado ambos em Click, fraquíssimo). Don Cheadle está bem como sempre, e consegue ter seu tempo de protagonista no filme ao descobrir que sua relação com a esposa e com os colegas de trabalho se deteriorou e saiu do "ideológicamente correto", e o seu anticlimax é o esforço quieto que faz para isso volte ao normal.

E a Liv Tyler... bom, da Liv Tyler eu não preciso nem falar. E ainda por cima está bem em sua atuação como psicóloga-amiga-advogada, apesar de não fazer frente aos dois protagonistas.

A trilha sonora, com clássicos do Rock'n Roll, não destoa: fantástica ! E coroa um filme do qual eu não esperava nada, e que me supreendeu positivamente, coisa rara no cinema comercial.

Reine Sobre Mim (Reign Over Me)
EUA / 2006 - Drama. 124 min.
Diretor Mike Binder 
Roteiro Mike Binder 
Sony Pictures  
Adam Sandler, Don Cheadle, Jada Pinkett Smith, Liv Tyler, Saffron Burrows, Cicely Tyson, Robert Klein, Melinda Dillon, Camille LaChe Smith 

terça-feira, 18 de março de 2008

Azul gelado, ou frio-azulado ?

"Vai minha tristeza e diz a ela que sem ela não pode ser. Diz-lhe numa prece que ela regresse, porque eu não posso mais sofrer"

Ontem, no meio da minha corrida, eu ouvi "Round Are Way", do Oasis. No meio da música tem uma passagem assim: "Lying to the teacher he knows he knows / he didn’t and he should’ve brought his lines in yesterday", mais ou menos como "mentindo para a professora, ele não fez e sabe que deveria ter trazido sua lição ontem"...
Bom, essa frase foi a tônica da minha vida colegial. É incrível - e nada abonador de dizer -, mas eu sempre tinha uma tarefa, um trabaho, uma redação ou qualquer outra coisa que fosse, atrasada.
Quando eu acabei o colegial, fiz um ano de cursinho (naquelas), e não havia nada disso... tarefa, trabalho, nada. Era o Paraíso na terra. Logo depois, os quatro anos de faculdade voltaram com essa rotina, que só terminou mesmo quando eu comecei a trabalhar.
Puta que pariu, como era ruim chegar na aula e não ter o trabalho para entregar ! Era uma experiência segregativa. Sou a favor da abolição das tarefas nos colégios, aquelas tarefas que me causaram tanto mal na infância, e agora refletem na minha personalidade.

Tudo o que eu tenho de ruim hoje, devo às tarefas escolares.

quarta-feira, 12 de março de 2008

Laranja e Prata, com cheiro de Karité

"Cause in sleepy London town there's just no place for a street fighting man"

Domingo eu corri a minha primeira Meia-Maratona.
Tá certo que eu só corri meio percurso (10.512 km). Tá certo que meu tempo não foi aquelas coisas (1h04m59s).
Mas o simples fato de correr uma prova como essa, ah, isso é impagável.
No sábado a minha preparação não foi das melhores, já que eu jantei no japonês e "comi até as tampas", como diz minha mãe. Também não dormi muito bem. Mas na hora que a sirene tocou (quer dizer, uns 4 miutos depois, quando eu passei pelo pórtico de largada), aquilo tudo não existia mais.
Desci a Avenida Pacaembú como um raio, ouvindo minha música, vendo aquele mar de gente que, como eu, largou a cama cedo para sofrer nas subidas do minhocão, e percebi que não dava para eu estar em outro lugar aquele dia.
O percurso também foi uma delícia: por cima do minhocão dava para ver a Santa Cecília, a Avenida Angélica - onde eu morei 16 dos meus 26 anos -, o comecinho da Consolação... e depois na volta, tudo de novo. Acho que por conta do percurso, essa corrida pode ser considerada um exercício de Paulistanice.
Já no finalzinho da minha corrida, subindo a Avenida Pacaembú de volta, lingua de fora, la vem Vanderlei, vice campeão da Maratona das Olimpíadas de Sidney, o cara que me fez chorar pela sua felicidade ao comemorar um segundo lugar que, graças à interrupção do padre louco - quem não se lembra ? - não era mais primeiro.
E passou voando, desfilando, patinando no asfalto que a essa hora da manhã já fervia. Vai lá Vanderlei, corre pra segundo, pra primeiro, pro que for, mas continua correndo !
Terminei meus 10K e poucos e ainda voltei andando para casa. Acho que só hoje eu comecei a desacelerar...

terça-feira, 4 de março de 2008

Laranja, roxo, verde e branco

"from the moment I wake to the moment I sleep I'll be there by your side"

A corrida foi ótima, mas a melhor parte do domingo quem me deu foi o Palmeiras.

Aleluia, Palmeiras ! (Armando Nogueira)

"Então, ficamos assim combinados: 1º) time que joga bonito também pode ser campeão; 2º) time que se preza pode escalar quatro atacantes e nem por isso estará vulnerável; 3º) um punhado de craques vale mais que mil pranchetas. Essas as lições que acaba de dar ao futebol o técnico Wanderley Luxemburgo.

É hora de agradecer, reverente, por tudo que o Palmeiras fez. Ganhou o título de campeão paulista, jogando futebol em campo de sonhos. A utopia do futebol-arte está sobejamente vingada. O Palmeiras, com este título, fez muito mais do que vencer. Está fazendo história. Aliás, reescrevendo a história do nosso futebol.

Ah, Palmeiras ! Quanta coisa esplêndida nos deste, em tantas tardes de Rivaldo ! Silhueta de espantalho, lá vai ele, tecendo astúcias com a bola. Pernas para todo lado. Rivaldo é uma centopéia. Infatigável. Converte talento em suor. Craque solar, flama e luz.

E de Müller, que dizer de alguém que conseguiu reduzir a geometria do futebol à singeleza de um simples toque ? Exaltação do passe, traço de união entre almas da mesma cor. É como se ele não gostasse da bola: mal lhe chega, a bola é logo despachada, como um sopro. Gosta tanto que lhe dá vida. Mais que um passe, o parceiro recebe uma doação. Foi assim, de dádiva em dádiva, que Luizão se fez artilheiro. com ajuda da santíssima trindade do ataque Palmeirense e, naturalmente, com seu apurado olfato.

Quem haverá de esquecer Djalminha, a quem a bola, em boa hora, elegeu seu alter ego? os dois confiam, cegamente, um no outro. São unha e carne. Passam o jogo inteiro tramando irreverências à sombra do adversário. Se não é a mão forte de Luxemburgo, Djalminha e a bola descambam no perigoso terreno da galhofa. É assim mesmo: peladeiro não tem coração, tem medula. Coração quem tem, nessa equipe, é Cafu, é Junior, um toquinho de gente que, jogando, parece que tem três metros de altura.

Anjo ou demônio ? Quem souber defini-lo que o defina. O adversário quer distância dele. Tem parte com o satanás. Solta fogo pelas ventas. O Palmeiras, ao contrário, corteja-o como anjo da guarda do time. Quando o vi deixar o campo, domingo, em lágrimas, quase chorei, também. O refinado futebol do Palmeiras talvez não sobrevivesse sem o ardor de Amaral. Ele encerra a velha máxima que, um dia, ouvi, do mestre Fleitas Solich, um dos técnicos mais marcantes que conheci em 40 anos de futebol: "O jogador, para ser 100% profissional, tem que ser 100% amador". Amaral é a encarnação da falange de guerreiros na qual despontam o zagueiro Cléber e o gladiador Flávio Conceição. Feliz a equipe que entrega a guarda de sua virgindade a um goleiro da linhagem de Velloso. Melhor que ele, no Brasil, não conheço.

O time do Palmeiras nos redime de tantos anos de mediocridade. E o que é mais patético: mediocridade celebrada, aos quatro ventos. Do futebol de resultado. Do futebol somítico, mendigo de gols. Mais de 100 gols no campeonato, não é uma redenção ? Não é libertação o time retomar a bola e avançar maciçamente, em busca de mais um gol ? E com que refinamento vai ao ataque o time do Palmeiras! Sai trocando passes, tricotando a bola, os jogadores se movendo em vertiginosa velocidade. Cada manobra do Palmeiras é uma fulguração. Cada gol do Palmeiras, uma obra de arte.

Que beleza, Palmeiras ! Tu ressuscitas as mais preciosas invenções do futebol Brasileiro. Gerson, Pelé, Coutinho, Pagão, Zizinho, Jajá, Tostão, Rivelino, todos eles agradecem ao campeão pela graça de ter feito renascer a tabelinha, abençoado triângulo amoroso do futebol Brasileiro.

Aleluia, Palmeiras !" (junho, 1996)

segunda-feira, 3 de março de 2008

Azul K1

"say my name it's called disturbance, I'll shout and scream, I'll kill the King and I'll rail at all his servants"

Another run, another planet.

Domingo foi dia de corrida. A primeira do ano.

O legal é que o arrepio ainda não passou !

Semana que vem tem meia-maratona... e a powersong é Street Fighting Man !!!



sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Amarelo luz-do-fim-do-túnel

"falcons... falcons... blood stripe falcons"

Desafio:

Desafio os poucos leitores deste blog a me apresentarem, através dos comentários, cinco maneiras LÍCITAS de se ficar rico no Brasil.

O primeiro a dar cinco sugestões adequadas à nossa realidade, e que não envolvam qualquer tipo de rachuncho, mutreta, debaixo-dos-panos e afins, ganha um brinde !

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Verde-apontador-novo da primeira semana de aula da 4ª série

"Check-ch-check-check-check-ch-check it out, what-wha-what-what-what's it all about, work-wa-work-work-work-wa-work it out, let's turn this motherfuckin' party out"

No último fim de semana teve formatura da Bia em Maringá. A fermatura - leia-se "carnaval", já que foram três dias de festa - serviu pra, mais do que tomar tequila, que eu revisitasse (ainda que de passagem) a cidade que me acolheu tão carinhosamente, sem a recíproca da minha parte.

A verdade era que com 18 anos, acostumado com a vida em São Paulo, qualquer um que vá a Londrina acha aquilo lá realmente a roça. Sabe o reality show "The Simple Life"? Pois é, foi idéia minha, mas no molde "Paulistano que ama sua cidade é obrigado a passar 4 anos numa cidadezinha do interior, fazendo faculdade, jogando bola descalço e tendo que usar calça jeans e tênis para ir ao mercado"...

E desse jeito ficava fácil para cornetar. Meus amigo paulistanos iam pra lá e adoravam !!! Para mim, a explicação é que Londriville era pra eles tipo uma colônia de férias, ideal para se passar 15 dias e, depois disso, "até nunca mais".

Mas, quando eu entrei no ônibus em Maringá no domingo em direção à Londrina, terra do pé-vermeio, algumas coisas me vieram à cabeça.

(Sobre minha cabeça: Eu a achava ligeiramente grande quando era adolescente; há 8 anos ela tem um topete; ela antes tinha cabelos brancos, agora estão ficando transparentes - aqui nos cantinhos da testa, ó)

E eu lembrei que um dia eu fui para Maringá. E também para Cianorte. Ah é, tem também Francisco Beltrão !!!

Depois de morar em Cianorte, você revê os seus conceitos de roça. Um lugar onde os supermercados fecham de domingo. Onde os restaurantes só servem almoço até 13:00hs. Onde todas as baladas da cidade ficam em volta da mesma rotatória (aliás, como o Paraná ama as rotatórias né...).

Isso tudo acabou mudando minha opinião. Sei que é difícil para uma cidade ser como São Paulo, ter trocentas coisas para fazer, ter sempre uma pizzaria aberta, te permitir sair pelo bairro todos os dias e encontrar, no máximo, um ou outro conhecido. E eu sempre gostei muito disso. Por causa desta impessoalidade, quando você está na rua você sente que só conhece uma coisa: a própria cidade. E esse é o estilão, o charme, a personalidade de São Paulo.

Personalidade. Eu acho que é isso que me faz respeitar uma cidade. Enquanto morava lá, não via personalidade nenhuma em Londrina. Mas essas "andanças" pelo interiorrr do Paraná me mudaram.

E hoje eu vejo Londrina com outros olhos. Não dá pra negar que é uma cidade bonita, com aquele circuito Higienópolis - JK, cheio de predinhos novos, casas bonitinhas, uma igreja que mais parece um bingo...

E se o povo de lá é meio emperiquitado demais, com as mulheres indo de vestido e salto ao supermercado, a população universitária compensa isso, com a cafonice dos agroboys (que comentário racista... ou seria especista ?), o desleixo do pessoal do CEFD e a hipponguice dos estudantes do CCS.

E se as tardes lá são tranquilas demais, ótimo, porquê desde o primeiro dia em que eu me vi envolvido com uma prática desagradável chamada trabadlho, eu dou muito mais valor a cada minuto de sono conquistado ! Além disso, sempre tem um churrasco, ou um Espetinho's pra ir (a não ser que tenha fechado, isso eu não olhei...).

E agora tá assim, tudo que eu odiava em Londrina, agora eu tenho uma explicação, uma justificativa mesmo, para defender a cidade com quem até então eu tinha uma relação estritamente acadêmica, mas que a partir de agora, no maior estilo "clichêzão legal", virou o clássico "história de amor e ódio".

Não que eu vá voltar pra lá, até porquê mercado de trabalho pra mim já tá difícil aqui, imagina lá. Mas o legal é que por uma cidade que até ontem eu queria esquecer que passei 5 anos lá, hoje eu tenho um certo carinho, florescendo nesse meu coraçãozinho metropolitano.

Assim, aproveito para pedir desculpa à minha querida Londriville por todos os insultos, calúnias e injúrias que eu proferi não só no tempo que morei lá, mas em todo o período pós-traumático e pré-trauma"maiorainda"mático (no caso, a mudança pra Cianorte), e dizer que sim, Londrina eu amo você, a sua feirinha da Lua, o seu Zerão e o seu lago, que passaram carrapatos incontadas vezes para a minha cachorra, sua faculdade que me deu um pedaço de papel e me preparou, com um descanso de 5 anos, para 4 anos de trabalho sem férias, seu Carrefour Glam no shopping que fica na estrada, seu polígono Vicente Rijo, Pizza Hut (finada), Habib's, Igreja-bingo e minha ex-casa, o seu VGD e Estádio do Café, os mais vazios que eu já fui, seu Pun e seu CU, nomes chocantes para os desavisados, seu mercadinho Quebec, sua madre Leônia Milito, seu terminal urbano onde, de todas as trocentas linhas, eu só usei 4, seu camelódromo, que com seus produtos de alta qualidade estragaram meu Playstation1, seu PAI e HU, onde eu vi guerreiros caírem sob a impiedosa espada da cachaça... enfim, Londriville, meu amor, obrigado pela oportunidade vitalícia de dizer que, um dia - ou 5 anos -, eu vivi em Londres, para os íntimos.

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- Cuidado com a marca de tequila "José Cuervo". Suspeito que ela esteja adulterada: foram 8 doses na festa da minha irmã e nem com calor eu fiquei.

- Sábado é dia de voltar pra casa !!!

- Compra-se urgente iPod.

 

Sem mais !

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Preto, prata e vento quente

"Or will blood run down the face of a boy bewildered and scorned, and you'll find yourself in a skirmish, and you wish you'd never been born"

"TERÇA-FEIRA, 29 DE JANEIRO DE 2008 - 08h35 
Palmeirenses "vetam" logo da Suvinil

THALES CALIPO
Da Máquina do Esporte, São Paulo

Insatisfeita com a forma como a Suvinil expõe sua marca na camisa do Palmeiras, a torcida já promove um grande movimento na internet. Por meio de comunidades no Orkut, por exemplo, os torcedores realizam enquetes, debatem alternativas e, inclusive, criaram uma carta aberta para tentar sensibilizar a empresa.

Em uma rápida pesquisa pelas principais comunidades relacionadas ao clube, os tópicos referentes à nova patrocinadora do clube falam sobre a discrepância entre as cores do uniforme e do logo da Suvinil. Alguns mais radicais tentam estimular inclusive um boicote ao novo uniforme até que essa situação mude.

Na comunidade “Sociedade Esportiva Palmeiras”, por exemplo, que conta com mais de 104 mil participantes, uma enquete promovida apontava que 60% desaprovavam o novo uniforme do clube, com a atual marca da Suvinil.

Mesmo assim, alguns comentários deixam claro que a restrição não é propriamente à Suvinil, que já patrocinou o Corinthians na última década, mas sim à forma como a exposição foi feita.

No fórum “Palmeiras Todo Dia”, que se denomina “O Site Oficial do Torcedor Palmeirense”, existe até uma carta aberta que pede à empresa que “reconsidere sua decisão com relação à logomarca estampada em nosso uniforme”.

“Pleiteamos apenas é um pouco de flexibilidade por parte da empresa, de forma que a beleza e harmonia de nosso manto sagrado seja respeitado. Afinal, a razão primordial dessa promissora parceria entre Palmeiras e Suvinil é o torcedor, que é quem faz do Palmeiras ser o gigante que conhecemos. (...) Portanto, estamos absolutamente certos que a Suvinil compreenderá essa solicitação, o que lhe garantirá um lugar eterno no coração de nossos torcedores”, diz o texto.

Além dessa carta, os torcedores também criaram alguns modelos para a estampa do logo da Suvinil nas mangas da camisa do Palmeiras, todos com os escritos na cor branca.

Na última segunda-feira, em entrevista à Máquina do Esporte, Mirian Zanchetta, gerente de propaganda e promoção da Suvinil, afirmou que a empresa estava analisando a reação da torcida em relação ao logo estampado nas mangas da camisa e deixou em aberto a possibilidade de mudanças."

_______________

- 1º de Fevereiro: a Suvinil confirma a mudança, adotando o layout sugerido pelo PTD e divulgado na comunidade do Palmeiras no orkut.

- 2 de Fevereiro: Alguns títulos de tópicos na comunidade do Palmeiras no orkut: SUVINIL - Música pra ela ; VALEU SUVINIL - 1000 up's ; MUDA SUVINIL - Nos ouviram !!!

- 2 de Fevereiro: Chamadas do caso (mídia espontânea) no uol.com.br, terra.com.br, globo.com, Estado de São Paulo, Jornal da Tarde, Globo Esporte, Jogo Aberto e outros.

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Sabe o que é isso ?

Uma puta jogada de marketing.

Premeditado ou não, olha o tamanho da visibilidade e retorno que a empresa teve...

Muito bom, muito bom !!!

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Azul-bolor amanhecido

"ele diz que está comprometido, e ele diz que assinou o papel que vai mante-lo preso dentro da baleia até o fim da vida, até o fim da vida, até subir pro céu"

Nessas últimas 24 horas eu comi:

- Arroz
- Gohan
- Risoto
- Maionese
- Tender
- Pernil
- Sanduiche de Pernil
- Bacalhau
- Cheeseburger
- Batata frita
- Pipoca
- Pastel
- Oniguiri
- Tabasco
- Farofa 1
- Farofa 2
- Sushi da tia Lú
- Coca Cola
- Coca Cola Light
- Fanta Uva
- Suco de uva
- Caipirinha de H2Oh da minha mãe
- Agua
- Cheesecake
- Geladinho
- Sorvete
- Torta de maracujá
- Trufa
- Pudim
- Bolo de Aniversário
- Brigadeiro
- Cajuzinho
- Beijinho

E eu ainda não fui ao banheiro ! 
Pelo menos já fui ao banheiro !

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Duchas claras no escuro.

"chase down an empty street, blindly snap the broken beats"

Sábado, 11 de novembro de 2007. 5:30hs da manhã. Eu levanto e ouço a chuva tão alto que parece que tem uma torneira aberta dentro do quarto.
E esta foi a primeira vez naquele dia que eu pensaria em desistir.
E também a última.
De guarda-chuva na mão, na escuridão da madrugada que ainda se apoiava na sobrevida do horário de verão, corri até o carro - mas deveria ter economizado o fôlego pra mais tarde - e, mesmo com o quadro avançado de insuficiência que o limpador de para-brisa apresentava, toquei em direção à casa da Glaucia.
Nos meus 26 anos inteiros de vida ainda não tinha visto tanta chuva quanto nos 8 minutos que levei para ir da minha casa até a dela, do outro lado da Avenida Paulista.
E tudo isso temperado à base de SMS's desencorajadores. Sem sucesso.
Chegando lá, Dona Glaucia me esperava na esquina com a sua camisetinha azul, número baixo - 254 - e, de passo apressado se jogou pra dentro do carro, dando um berrinho de Bom Dia primeiro, para depois começar a esculhambar com a chuva.

E aí então começava a Nike 10k para mim.

(Sobre 10k: é a corrida de rua anual da Nike; ela acontece em 11 países da América Latina no mesmo dia; o seu percurso é de 10 kilometros)

Quando eu corro, eu me sinto mais ou menos assim:

- POR CONTA PRÓPRIA -

Porque eu sei que se não terminar os 10km, ficarei no meio do nada. Porque não vai ter ninguém pra me dar carona até a chegada. Porque não dá pra "roubar" o percurso. Porque tem um caminhão de pessoas querendo saber como eu fui na corrida, e em quanto tempo eu terminei a corrida. Porque eu, meu pulmão e minhas pernas são os únicos que podem me levar até o fim.

E ainda tem a vontade de desistir. Ahhhh, a vontade de desistir.

Imagina uma pessoa trocentos kgs acima do seu peso, sem treinar há mais de um ano. Ensope esta pessoa e aí você vai ter uma idéia de quem eu fui nesse dia 11-11.

Eu falei pra Glaucia antes mesmo de começar a corrida que se eu chegasse ao 7º km correndo, aí eu iria até o final sem dar um passo sequer andando. Mas a verdade é que eu não esperava terminar a prova correndo, nem andando, nem engatinhando.

Com sorte, eu cruzaria a linha de chegada na UTI móvel da Organização. Na verdade eu quis dizer que se chegasse ao 7º km andando, aí sim talvez eu passasse na linha de chegada. Nem na época que eu treinava eu conseguia fazer 10km correndo na esteira (!!!), belo sonho pegar subida, descida, barro e afins pra fazer essa distância, ainda por cima ensopado ! Eu juro que achei que pensaria em desisitir - e o principal, seria complacente com esse pensamento - milhões de vezes mais do que isso realmente aconteceu.

E aí eu fui correndo, prestando atenção nas pessoas, nos postos de som, nos cheerrunners, e quando eu vi eu já estava tão envolvido com esse negócio de correr que eu não podia mais parar. Eu já tinha ido até ali, e nada ia me parar. Muita gente me passava, e eu feliz da vida, não queria parar.
Imagina correr por mais de uma hora... chega uma hora na corrida que o movimento fica automático, e aí você não tem nada pra fazer além de pensar nas coisas. Pensar na vida. É isso que sempre me encantou em correr. Vai poder pensar na vida assim lá longe. E o legal é que você pensa cansado, suando, em desconforto. As coisas tem um enfoque diferente do ponto de vista de quem pensa correndo, literalmente.

Passei pelo barro - que provocou o término precoce da carreira do meu querido tênis de corrida, imundo que ficou -, passei pelo ponto de hidratação, pelo fotógrafo, por outra estação de som, por uma subidinha, por uma descidinha, por outra estação de hidratação... pensando, pensando e pensando !!!

E quando eu vi o sétimo kilometro já estava logo ali. Pensei triunfante: "Ah, 10k, esperava mais de você !!!", e corri pensando ainda mais.

E nem a subida cáustica do kilometro 9 me fez desanimar, e no descidão final da corrida, que desembocava na chegada, eu não conseguia parar de rir. Eu até gargalhei.

Gargalhei porque eu tinha conseguido uma coisa que eu não esperava, como aqueles R$50,00 que a gente acha no bolso da calça guardada faz tempo, e porque eu sou um cara bem menos disciplinado do que eu gostaria de ser - e de repente eu vi que eu "tinha jeito". Fiz com folga o que nem eu acreditei que eu faria e isso, isso é melhor do que qualquer conquistazinha amorosa barata por aí, melhor do que ser promovido, melhor que dormir o domingo todo, e quase melhor que ver o Palmeiras jogar.

E esta corrida, que tinha tudo pra ser um desastre de auto-estima, prova substancial de que eu não consigo me superar, demonstração de fraqueza pública, e todas aquelas outras baboseiras emo, acabou virando o novo crossroad da minha vida. Como o meu querido chute no balde.

De novo.

E isso é bom pra caralho.

Quer dizer, isso é melhor pra caralho.

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Uma sauna de tangerina, mas sem o gosto nem o cheiro.

"Seus filhos erravam cegos pelo continente, levavam pedras feito penitentes, erguendo estranhas catedrais"

"...eu ainda continuo achando q elas (comunidades) nao valem nada mais do que numero no profile de um individuo
afinal de contas, existem mais de trocentas comunidades, e poucas delas são atualizadas e fazem realmente um sentido na vida de um ser-humano (seja ele PIXELADO ou não).
Pra que dizer q ama fulano, ou q ele é incrivel, ou que ele nao vale nada, ou q é um bebado?"

É deste jeito que a minha amiga Glaucia defende a existência da sua comunidade no orkut.

(Sobre Glaucia: eu conheci ela quando tinha 12 anos; um dia ela chutou meu saco; ela é uma devoradora de homens)

Mas eu não concordo com ela.

O que seria daquelas fuçadas históricas de meio-de-madrugada no orkut, quando você vai pro fórum de uma comunidade, vê que alguém postou uma coisa engrçada, pula pro perfil dessa pessoa, vê as fotos - claro -, e vê que ela tem outra comunidade legal, visita esta comunidade, vê alguém bonitinho, passa no perfil dessa pessoa, vê que ela tá na mesma comunidade de futebol que você, entra lá para ver as notícias do seu time, e lá vê que criaram uma comunidade pra provocar o time rival, entra nesta comunidade, e assim por diante ?

Coisa chata seria o orkut sem essa sessão - que para alguns é diária, para outros semanal, pros mais acanhados mensal.

Isso sem falar no curriculo.

Ahhh o curriculo.

Pense numa agência de marketing. Uma que faz os eventos de um cliente respeitadíssimo. Agora pensa no supervisor desta agência. Quer mandar um curriculo? Que legal, manda ! Ele recebe muitos curriculos, com certeza vai adorar receber o seu. Mas pergunte-se qual a primeira coisa que ele vai fazer depois de ler a última linha do seu resumeè ?

ELE VAI IMPLACAVELMENTE TE PROCURAR NO ORKUT. E acredite, se você tiver um perfil, ele vai te achar.

E o seu próximo passo será vasculhar as suas comunidades. Por quê? Simples: porque ele precisa saber de tantas outras informações importantes que você, desapercebido que é, se esqueceu de escrever no cu...

- time que torce
- cidade natal
- gosta de cachorro ?
- qual a sua religião ?
- e outras coisas mais importantes, que naquele momento são a base de informação para que o pobre supervisor, antes de fazer você vir de São Miguel Paulista a Moema de trem, lotação e dois ônibus, comece a traçar seu perfil e ver se você se encaixa na empresa.

¹Olhar orkut é uma experiência experimental, se é que isso existe. Você consegue fazer boa noção de quem é uma pessoa, em vários aspectos da sua vida, só de olhar as suas comunidades. Dá pra saber os hábitos da indivíduo, se ele tem afinidade com marcas, lojas, se gosta de livros, que tipo de livro lê, se prefere comunidades com tom mais humorístico a fóruns de discussão profissional, se é membro de alguma associação, enfim, o suficiente para traçar o perfil de um completo desconhecido.

E isso, na maioria das vezes, é mais do que útil sim, Dona Glaucia !

Um beijo pra você. E pra todos os 6 mil visitantes que eu tive desde que eu abri este bolg, anteontem ! O liveforever é de vocês ! É uma conquista de vocês enquanto cidadãos !

E assim eu me preparo pro sábado !

¹ Parágrafo onde eu falei sério.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Cor de lâmpada econômica.

"we see things they'll never see - you and I are gonna live forever"

"We see things they'll never see - you and I are gonna live forever"... Tá vendo essa música aí ? Inspirou o nome do blog que, há uns 5 anos foi ao ar e voltou esses dias porquê eu já não podia mais ficar sem falar.

Mesmo que eu esteja falando para ninguém.

E o blog veio numa época legal da minha vida: faculdade, morando sozinho, logo depois de terminar um namoro de dois anos... assim, os assuntos do blog frequentemente eram baladas, coisas engraçadas, as minhas vindas pra São Paulo (eu fiz faculdade em Londrina), intervaladas com algumas coisas menos fúteis, como comentários sobre notícias, política, religião - assunto do qual eu gosto de falar hein... - e, novamente, bobagens que eram comuns de se encontrar nos blogs naquela época.

E muita coisa legal aconteceu em função deste blog.

Um exemplo: eu conheci uma pessoa fantástica, muito legal mesmo, o nome dela é Mariana e, mais do que minha amiga, ela virou minha irmã.

(Sobre Mari: ela também gosta de Oasis; nós já fomos numa festa à fantasia juntos; ela estava fantasiada de Chun-Li)

Como eu vim a conhecer a Mari através do Live Forever: Londrina tem a maior festa à fantasia do mundo - a Metamorfose -, e naquele fatídico 2002 eu havia ido à festa. Eu e a patota do prédio que eu morava. Tinha uma amiga que se fantasiou de Chun-Li (mas calma, que ainda não era a Mari), então tiramos trocentas fotos e eu as publiquei no blog. Até aí normal. Acontece que, do outro lado do Brasil, mais precisamente em São Carlos, alguns meses depois havia uma garota, que também ia a uma festa a fantasia, e que estava desesperada à procura de uma fantasia de Chun-Li. Aconteceu assim:

Mari: "fantasia" "Chun-Li" [ENTER]

Google: Web    Resultados 1 - 10 de aproximadamente 27.700 para "fantasia" "Chun-li" (0,21 segundos)
(...)
Live Forever - We See Things They'll Never See
Kalina de Chun-Li e Vivico com uma fantasia que eu não sei bem o nome, no comecinho da festa.
www.blogger.com.br/liveforever/arquivo/121002-191002 - 321k -
Em cache - Páginas Semelhantes

Mari: Click

E aí ela viu meu blog. Viu que eu também gostava de Oasis. E passou a visitar o Live Forever regularmente, porque gostou do blog, de mim ou porque quem gosta de Oasis tem uma empatia antipática entre si. Um dia ela deixou um comentário. Nos adicionamos no messenger - ou seria no ICQ ? - e viramos grandes amigos.

Depois disso, nos encontramos - e nos conhecemos pessoalmente - em São Paulo, não me lembro a data, e depois ela foi à Londrina para a Metamorfose, veio à São Paulo pro show do Oasis em 2006 e esteve aqui sábado passado, no aniversário do pai dela. Embora nessas últimas duas vezes a gente tenha combinado mas não tenha conseguido se ver, ela sabe o quanto eu gosto dela, e eu sei que eu devo uma ida à Pira para visita-la.

Dava pra passar o mês aqui falando do Live Forever, então eu já desisto logo de cara, e digo só pra encerrar mesmo o assunto, que o blog só acabou porquê a Globo incorporou o dominio blogger.com e deletou minha conta sem aviso prévio. Parecia que eu tinha perdido um parente quando isso aconteceu.

Mas agora eu tenho o Live Forever 2.0

:-)

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Pingos de papel na caneta-piloto.

"february stars, floating in the dark... temporary scars"

Nossa, que dor nas costas !!!
Estou morrendo de dor nas costas !!!
Não dormi muito bem essa noite, já a Augusta...

(Sobre Augusta: ela dorme na minha cama; ontem, ela quis dormir na diagonal da cama; ela pesa 42 kg)

Imaginem aí a sessão de 7 horas de contorcionismo.
Saiu barato pra mim hein ?

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Copio aqui um texto postado por mim no fórum do curso de marketing que eu estou fazendo, sobre o filme Tropa de Elite - bom, muito bom -, à época do seu lançamento oficial nos cinemas, traçando um paralelo com uma nova tendência de marketing chamada buzz marketing - o popular "viral":

"O Filme envolveu-se em uma grande polêmica por ter sido apresentado à população antes nos camelôs do que nos cinemas.

Críticas ávidas ao filme, à sua condução, à construção dos seus personagens e a outras questões polêmicas abordadas confrontaram-se ao clamor de atores, produtores e diretor pelo combate à pirataria como forma de respeito ao filme enquanto obra de arte, tendo esta bandeira sendo fortemente empunhada pelos veículos de mídia em geral.

Tal burburinho fez com que a versão pirata do filme ganhasse as barraquinhas de camelôs de todo o país, e estima-se que entre 1 e 3 milhões de pessoas tenham assitido ao "Tropa Pirata" desde então.

Sob a alegação de que o filme estaria sendo prejudicado por tal movimento, seus executivos anteciparam por duas vezes o seu lançamento oficial e na última semana, a menos de dez dias da estréia do filme nos cinemas, a última novidade é que o filme, que pelo visto acaba sem sentido na sua versão "alternativa", tem em seu formato o "original" um final diferente e com 20 e poucos minutos a mais de película do que a versão pirata.

Tal fato teria aumentado a procura pela versão oficial do filme, tanto nos espectadores piratas quanto dos que aguardaram a sua estréia oficial, e "Teorias da Conspiração" recentes apontam Tropa de Elite como o mais bem sucedido caso de buzz marketing/marketing viral Brasileiro, dada a atenção e mídia que a série de polêmicas em torno do filme gerou.

Gostaria de saber o que pensam os colegas de curso e também a nossa tutora a respeito destes incidentes, se são isolados ou se fazem parte de uma estratégia de marketing e, para a segunda opção, como vêem a prática criminosa de distribuição e fomento à pirataria ao "vazarem" propositalmente um grande trecho do filme, que no fim das contas nada mais foi do que uma peça publicitária, para a industria de cópias ilegais de filmes."

Pena que a tutora não respondeu. E nem os meus colegas.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Algodão-doce cinza.

"this pound of flesh could be my end, but then, it was mine first"

Segunda-feira.

Pós feriado..

Chovendo...

E ainda assim estou mais calmo que no último post, o carnaval do palavrão despadronizado¹... eu explico:

É um pensamento medíocre mas, cagada após cagada, fica aquela sensação de "pior que tá não fica". E, fanfarrona que é a nossa cabeça, esta é mais reconfortante que o fuss pré-feriado. Até porquê fuss é o oposto de reconfortante.

Então, o feriado resumiu-se a um prólogo, uma grande cagada, o anti-clímax e o gran finale, por assim dizer.

Quinta a merda foi verde - e o aviso já estava dado.
Sexta, finados mostrou a que veio.
Domingo, a noite clara das 19:15 em Sampa ainda suplicava: vai domir, que você ganha mais.
Mas eu não podia, e de noite veio a perda. Ela me tirou o sono, na sua presênça e ausência.

E então, 3 e meia da noite, eu percebi que eu perdi - o que eu perdi. Perdi tudo, até a fala, coisa que não andava me faltando desde o dia em que eu chutei o balde lá em Londriville, aquele famigerado dia, que o primeiro liveforever contou pra quem quis ver.

Durma-se com um barulho destes. Ou não. Ou sim.

Em tempo: este post foi feito para ninguém no mundo, além de mim, entendê-lo completamente. O que não é de todo mal - eu acho.

¹Eu gosto das coisas padronizadas. Hoje não, mas daqui um tempo, vai ficar fácil perceber o que é padronização aqui nesse blog.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Vooolta...

Volta, liveforever, volta...

E ele voltou !!!

Pra falar do Kassab, prefeito de São Paulo.

Que fechou o Bahamas - e deixou o puterinho da DST lá na augusta aberto.

Que tirou os outdoors da cidade, já que eles a poluíam o visual - e deixou o emaranhado de fios nos postes, fachadas sujas e pixações quietas, inofensivas que são !

Que fechou todas as lojas da Av. dos Eucaliptos em Moema, por se tratar de uma rua residencial - mas não combateu os camelôs que não têm alvará nem pagam impostos (como os comerciantes da Eucaliptos) infestarem indiscriminadamente qualquer lugar que tenha concentração grande de pessoas.

Que começou uma obra de revitalização da Avenida Paulista - que vai terminar na época da eleição e até lá vai infernizar a vida de quem mora próximo ou passa por lá.

Sr. Kassab, um inimogo o senhor já tem, e terá quantos mais eu conseguir levar comigo !

PS.: e, pra usar o português claro, PAU NO CÚ de quem vier me desejar Feliz Dia Das Bruxas, seus americanizados de merda !