"is that the price you pay ? Running through hell, heaven can wait"
Faz um tempo eu definitivamente parei de ir trabalhar de onibus e, mesmo em dia de rodízio, só ando indo de carro - desculpe o trocadilho - pra senzala.
À primeira vista, isso parece um upgrade social, melhorona (ou seria melhorazona ?) na qualidade de vida. Se quando eu ia de onibus eu tinha que levantar às 7 da manhã para chegar no escritório às 9:00hs, hoje levantando 8 da manhã dá e sobra tempo. Pra gente como eu que considera tempo ocioso = tempo perdido, já que poderia estar dormindo, isso é realmente genial !!!
Acontece que, falando com a Pricila no messenger há uns meses atrás, ela me divertiu com as suas histórias de volta do trabalho, e todas as aventuras que ela vivia voltando ou de ônibus ou a pé pra sua casa. Nunca tinha dado tanta risada !
15 dias atrás foi a vez do Felipe, aqui do escritório, narrar um incidente fantástico na sua ida ao trabalho. Sem carro há algum tempo, desde que bateram na sua traseira, ele vem a cada dia gostando mais desse negócio de vir de ônibus + pé pro trampo.
A história que ele contou falava sobre duas mulheres que discutiram no ônibus, e terminaram a briga na rua. Uma delas até chegou a pegar uma pedra pra dar na outra. Enquanto isso, o motorista, lá de dentro, chamava as duas de volta pro busão, porquê ele "tinha que ir embora, não dá pra esperar mais, não" !
Que coisa !
Essa semana, na quarta-feira, eu saí pra almoçar sozinho, já que todo mundo no escritório tinha levado marmita. Fui no japonês por kilo numa travessa da rua onde eu trabalho, primeiro porquê é perto do escritório, segundo porquê é japonês e eu adoro comida japonesa !!!
Como cheguei lá lá pelas 2 da tarde, o movimento já estava bem fraco. Eu, um outro freguês e a dona do restaurante víamos o jornal entre um hot roll e um shimeji.
Falaram do terremoto e começamos a conversar, relatando nossas experiências sísmicas, naquela típica conversa de elevador, cheia de chove-não-molha "Eu senti, achei que estava passando mal..." "Eu nem percebi, nossa, gente, que coisa !!!" e assim por diante.
A notícia seguinte falava do caso all-time sucesso de audiência, o assassinato da Isabella. Inevitável, ouvimos pelo 15º dia seguido todos os detalhes do crime e, bem menos à vontade, não fizemos nenhum comentário.
Quer dizer...
A dona do restaurante deve ter se sentido obrigada a quebrar o gelo, tentar consertar o mal-estar causado - afinal não é todo restaurante que você vai que dá notícias de assassinato. Soltou a pérola:
- Esses dois aí também são muito é burros ! Vão jogar a criança pela janela ? Se fosse eu, eu punha fogo no cadáver...
Até derrubei o garfo na hora. O cara do meu lado tossiu. Aí ela percebeu o que tinha feito. Fácil arrumar:
- Mas é, gente, todo filme que você vê os assassinos fazem isso.
Ela até me deu uma bola de sorvete de chocolate de graça, a primeira das três tentativas de me fazer sentir bem que deu certo, mas nem assim eu volto a almoçar lá...
Depois dessa, eu concluo: os normais estão no hospício, os loucos é que estão soltos na rua.

2 cornetadas:
Todo esse contato com desconhecidos e uma bola de sorvete? hauahauahuaha eu nunca ganhei nada... além de um mano me oferecendo uma bala depois que eu pensei q ele ia me matar tirando uma arma do saquinho... (como eu fui ruim, ele só tava sendo gentil)
Pai me dá um carrooooo!
ae palmeirense, jóia!?
vai dar uma de pilão agora e fazer um blog com referências ao finado oasis?! :P
nin na cabeça!
bjos.
ps: to de volta em maio seu capeta!
hahaha, nigéria o caralho! :D
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